O que sai nos exames de Investigação Operacional

Exercícios resolvidos e análise dos tópicos mais frequentes em testes e exames de licenciatura — para focares o estudo no que realmente importa.

Baseado em exames reais de universidades portuguesas e de língua portuguesa.

O que aparece nos exames

Quase sempre em licenciatura

Método gráfico

Traçar restrições, identificar região de solução e encontrar o ponto óptimo graficamente.

Formulação de PL

Ler enunciado empresarial, escrever a função objectivo e as restrições correctamente.

Método Simplex

Construir tabelas, iterar, identificar a solução óptima e interpretar os resultados.

Problema dual

Converter primal em dual, identificar as variáveis duais e as respectivas condições.

Frequente em licenciatura

Problemas de rede

Caminho mais curto — algoritmo de Dijkstra passo a passo.

Caixeiro viajante

Circuito de menor distância — método do vizinho mais próximo (heurística).

Gestão de projectos (PERT-CPM)

Caminho crítico, duração mínima do projecto e folgas de cada actividade.

Ocasional em mestrado

Cortes de Gomory

Programação linear inteira — adicionar cortes e resolver até solução inteira.

Programação dinâmica

Decomposição em etapas e princípio da optimalidade.

Simulação

Simular sistemas com distribuições de probabilidade e interpretar resultados.

Heurística

Algoritmos genéticos e simulated annealing — descrever ou aplicar.

Método Electra

Análise multicritério — matrizes de concordância e discordância.

Exercícios originais resolvidos

Exercícios originais com resolução completa passo a passo. Clica em "Ver resolução" para expandir.

Ex. 1

Método Gráfico

Quase sempre

Uma empresa produz dois tipos de mobiliário: cadeiras (x₁) e mesas (x₂). Cada cadeira requer 2 h de carpintaria e 1 h de acabamento; cada mesa requer 3 h de carpintaria e 2 h de acabamento. A empresa dispõe de 12 h semanais de carpintaria e 8 h de acabamento. O lucro por cadeira é 50 € e por mesa 80 €. Resolva pelo método gráfico.

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Formulação

Max Z = 50x₁ + 80x₂

s.a.  2x₁ + 3x₂ ≤ 12   (carpintaria)
       x₁ + 2x₂ ≤  8   (acabamento)
      x₁, x₂ ≥ 0

1.º Pontos para traçar as restrições

  • 2x₁ + 3x₂ = 12 → A(0 ; 4) e B(6 ; 0)
  • x₁ + 2x₂ = 8 → C(0 ; 4) e D(8 ; 0)

2.º Vértices da região admissível e valor de Z

Pontox₁x₂Z = 50x₁ + 80x₂
O000
B60300
E04320 ← máximo

O ponto E(0 ; 4) resulta da intersecção das duas restrições: resolvendo 2x₁+3x₂=12 e x₁+2x₂=8 obtém-se x₂=4, x₁=0.

Solução óptima

X* = (0 ; 4) e Z* = 320 € — Produzir 0 cadeiras e 4 mesas por semana.

Ex. 2

Formulação de PL

Quase sempre

Uma fábrica de calçado produz três modelos: sapato clássico (x₁), bota (x₂) e sandália (x₃). Disponibilidade: 16 h de corte, 18 h de costura, 12 h de acabamento. Horas por unidade — sapato: 2/3/1; bota: 4/2/3; sandália: 1/2/2. Lucros: 120 €, 200 €, 80 €. Procura máxima de botas: 3 unidades. Produção de sandálias não pode exceder a de sapatos clássicos. Formule matematicamente o problema.

Ver resolução completa

Dados em tabela

Corte (h)Costura (h)Acabamento (h)Lucro (€)
Sapato (x₁)231120
Bota (x₂)423200
Sandália (x₃)12280
Disponível161812

Formulação completa

Max Z = 120x₁ + 200x₂ + 80x₃

s.a.  2x₁ + 4x₂ +  x₃ ≤ 16   (corte)
      3x₁ + 2x₂ + 2x₃ ≤ 18   (costura)
       x₁ + 3x₂ + 2x₃ ≤ 12   (acabamento)
                    x₂ ≤  3   (procura máx. de botas)
               x₃ − x₁ ≤  0   (sandálias ≤ sapatos)
      x₁, x₂, x₃ ≥ 0

A restrição x₃ ≤ x₁ é reescrita como x₃ − x₁ ≤ 0 para manter a forma standard.

5 restrições + não negatividade

Função objectivo: Max Z = 120x₁ + 200x₂ + 80x₃. A restrição de proporção x₃ ≤ x₁ é equivalente a x₃ − x₁ ≤ 0.

Ex. 3

Método Simplex

Quase sempre

Uma empresa produz dois produtos A (x₁) e B (x₂). A requer 1 h de máquina e 2 h de mão-de-obra; B requer 2 h de máquina e 1 h de mão-de-obra. Disponível: 6 h de máquina e 8 h de mão-de-obra. Lucro: A = 5 €/unid., B = 4 €/unid. Resolva pelo método Simplex.

Ver resolução completa

Forma padrão (adicionar variáveis de folga x₃, x₄)

Max Z = 5x₁ + 4x₂ + 0x₃ + 0x₄

s.a.   x₁ + 2x₂ + x₃      = 6
      2x₁ +  x₂      + x₄ = 8
      xᵢ ≥ 0

Quadro 1 — base inicial {x₃=6, x₄=8}

CᴮBasex₁ (5)x₂ (4)x₃ (0)x₄ (0)bθ = b/col.
0x₃121066/1 = 6
0x₄2 ←10184 ↑ (mín)
Cⱼ−Zⱼ5 ↑400Z = 0

Entrante: x₁ (maior Cⱼ−Zⱼ = 5). Sainte: x₄ (menor θ = 4). Pivot: 2.

Quadro 2 — base {x₃, x₁}

CᴮBasex₁ (5)x₂ (4)x₃ (0)x₄ (0)bθ
0x₃01,5 ←1−0,521,33 ↑ (mín)
5x₁10,500,548
Cⱼ−Zⱼ01,5 ↑0−2,5Z = 20

Entrante: x₂ (Cⱼ−Zⱼ = 1,5). Sainte: x₃ (θ = 1,33). Pivot: 1,5.

Quadro 3 — solução óptima

CᴮBasex₁ (5)x₂ (4)x₃ (0)x₄ (0)b
4x₂010,67−0,331,33
5x₁10−0,330,673,33
Cⱼ−Zⱼ00−1,33−1,33Z = 23,33

Todos os Cⱼ−Zⱼ ≤ 0 → solução óptima encontrada. Todas as restrições estão activas — sem folga em máquina nem em mão-de-obra.

Solução óptima

X* = (3,33 ; 1,33) e Z* = 23,33 € — Produzir 3,33 unidades de A e 1,33 de B por semana.

Ex. 4

Problema Dual

Quase sempre

Considera o problema primal: Min Z = 6x₁ + 4x₂ + 8x₃, sujeito a: 3x₁ + x₂ + 2x₃ ≥ 9; x₁ + 2x₂ + x₃ ≥ 6; x₁, x₂, x₃ ≥ 0. Encontre o problema dual.

Ver resolução completa

Regras de conversão Primal → Dual

Primal (Min)Dual (Max)
Função MinFunção Max
Coeficientes objectivo (6, 4, 8)Termos independentes do dual
Termos independentes (9, 6)Coeficientes objectivo do dual
Restrição ≥Variável dual ≥ 0
2 restrições2 variáveis duais (y₁, y₂)
3 variáveis3 restrições duais

Problema dual resultante

Max W = 9y₁ + 6y₂

s.a.  3y₁ +  y₂ ≤ 6   (coluna x₁ do primal)
       y₁ + 2y₂ ≤ 4   (coluna x₂ do primal)
      2y₁ +  y₂ ≤ 8   (coluna x₃ do primal)
      y₁, y₂ ≥ 0

Verificação da simetria

PrimalDual
Min Z = 6x₁ + 4x₂ + 8x₃Max W = 9y₁ + 6y₂
2 restrições2 variáveis duais
3 variáveis3 restrições
Restrições ≥ → variáveis ≥ 0Restrições ≤

Pelo teorema da dualidade forte, no óptimo: Z* = W*.

Dual: Max W = 9y₁ + 6y₂

Sujeito a: 3y₁+y₂≤6, y₁+2y₂≤4, 2y₁+y₂≤8, y₁,y₂≥0. No óptimo Z*=W*.

Ex. 5

Caminho Mais Curto — Dijkstra

Frequente

Uma empresa envia mercadoria do nó 1 (armazém) ao nó 6 (cliente). Distâncias em km: 1→2: 4, 1→3: 7, 2→3: 2, 2→4: 5, 3→4: 3, 3→5: 6, 4→6: 4, 5→6: 3. Determine o caminho mais curto pelo algoritmo de Dijkstra.

Ver resolução completa

Iteração 1 — partir do nó 1 (d=0)

d acumuladaNó anteriorEstado
10✓ visitado
241
371
4
5
6

Próximo: nó 2 (d = 4, mínimo).

Iteração 2 — a partir do nó 2

  • Nó 3: min(7, 4+2) = 6 — actualiza, nó anterior = 2
  • Nó 4: min(∞, 4+5) = 9, nó anterior = 2
d acumuladaNó anteriorEstado
241✓ visitado
362
492
5
6

Próximo: nó 3 (d = 6).

Iteração 3 — a partir do nó 3

  • Nó 4: min(9, 6+3) = 9 — empate, actualiza nó anterior para 3
  • Nó 5: min(∞, 6+6) = 12, nó anterior = 3
d acumuladaNó anteriorEstado
362✓ visitado
493
5123
6

Próximo: nó 4 (d = 9).

Iteração 4 — a partir do nó 4

  • Nó 6: min(∞, 9+4) = 13, nó anterior = 4

Próximo: nó 5 (d = 12).

Iteração 5 — a partir do nó 5

  • Nó 6: min(13, 12+3=15) = 13 — sem actualização (15 > 13)

Nó 6 visitado — algoritmo termina. Reconstituição do caminho: 6 ← 4 ← 3 ← 2 ← 1.

Caminho: 1 → 2 → 3 → 4 → 6 · Distância: 13 km

O caminho mais curto entre o armazém e o cliente percorre 13 km, passando pelos nós 2, 3 e 4.

Ex. 6

Caixeiro Viajante — Vizinho Mais Próximo

Frequente

Um representante parte de A e visita as cidades B, C, D e E, regressando a A. Distâncias (km): A-B 8, A-C 12, A-D 5, A-E 10, B-C 6, B-D 9, B-E 7, C-D 4, C-E 11, D-E 6. Determine o circuito de menor distância usando o método do vizinho mais próximo.

Ver resolução completa

Matriz de distâncias

ABCDE
A812510
B8697
C126411
D5946
E107116

Aplicação da heurística

PassoEmEscolhaDistânciaAcumulado
1A→ D (5 km, mínimo de A)55
2D→ C (4 km, mínimo de D)49
3C→ B (6 km, mínimo de C)615
4B→ E (7 km, único restante)722
5E→ A (regresso)1032

Nota: neste caso a heurística encontra o circuito óptimo (mínimo absoluto por enumeração = 32 km). Em geral, o método do vizinho mais próximo não garante a solução óptima global — fornece uma boa solução de forma rápida.

Circuito: A → D → C → B → E → A · Distância: 32 km

Solução heurística (vizinho mais próximo). Circuito alternativo A→D→E→B→C→A = 36 km — pior.

Ex. 7

PERT-CPM — Caminho Crítico

Frequente

Uma empresa planeia a construção de um armazém com 8 actividades. Durações (semanas) e precedências: A(3,—), B(4,A), C(6,B), D(3,C), E(4,C), F(3,C), G(5,D+E+F), H(2,G). Determine: a) o caminho crítico; b) a duração mínima do projecto; c) as folgas de cada actividade.

Ver resolução completa

1.º Forward pass — datas mais cedo (ES / EF)

ActividadeESDuraçãoEF = ES + Dur.
A033
B347
C7613
D13316
E13417
F13316
Gmax(16,17,16) = 17522
H22224

Duração mínima do projecto: 24 semanas.

2.º Backward pass — datas mais tarde (LS / LF)

ActividadeLFDuraçãoLS = LF − Dur.
H24222
G22517
D17314
E17413
F17314
Cmin(14,13,14) = 1367
B743
A330

3.º Folgas (Folga = LS − ES)

ActividadeESLSFolgaCrítica?
A000
B330
C770
D13141
E13130
F13141
G17170
H22220

D e F têm folga de 1 semana — podem atrasar até 1 semana sem prejudicar o projecto.

Caminho crítico: A → B → C → E → G → H · Duração: 24 semanas

D e F têm folga de 1 semana. Todas as restantes actividades têm folga zero.

Como está estruturado um teste típico

PerguntaTópicoValor típico
1Método gráfico5,0 valores
2Formulação de PL3,0 valores
3Método Simplex com tabelas5,0 valores
4Problema dual ou redes4,0 valores
Interpretação da solução3,0 valores

Em mestrado surgem adicionalmente Programação Dinâmica, Heurística e Método Electra.

Onde já foram dados apoios

IST – Técnico de Lisboa Universidade do Minho Universidade de Aveiro ISCTE ISEG Católica ISUTE — Moçambique Outras instituições

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